Brasil tem uma das maiores taxas de mortalidade por sepse (infecção generalizada) do mundo

Estudo revela que mortalidade no Brasil por sepse grave pode chegar a 70%, dependendo da região


A sepse, conhecida pela população como infecção generalizada, já é considerada um problema de saúde pública no mundo. Os índices de incidência ainda são muito altos, mesmo em países que apresentam taxas mais baixas. No Brasil o cenário é preocupando. Alguns estudos epidemiológicos demonstram que a mortalidade brasileira por sepse é maior do que a de países economicamente semelhantes, como a Índia e a Argentina.

Para disseminar novas abordagens de diagnóstico, tratamento e a implantação das novas diretrizes, a AMIB (Associação e Medicina Intensiva Brasileira) e o ILAS (Instituto Latino-Americano de Sepse) se uniram para organizar o ISF – International Sepsis Forum, que acontecerá nos dias 5 e 6 de novembro, no Rio de Janeiro. O encontro é considerado o mais importante evento do mundo sobre o tema e ocorrerá pela primeira vez em um país da América Latina.

“Serão dois dias de intenso trabalho nos quais teremos os principais nomes internacionais e nacionais debatendo sobre os diferentes temas que envolvem o diagnóstico e o tratamento da sepse”, disse a Dra. Flávia Machado, vice-presidente do ILAS.

Segundo os pesquisadores nacionais, uma das razões pela qual o Brasil ainda apresenta um dos índices mais preocupantes é devido ao pouco conhecimento da população sobre a doença, o que faz com que os pacientes com sepse sejam admitidos para tratamento em fases mais avançadas da síndrome, quando o risco de óbito é maior. Para conscientizar a população, a AMIB e ILAS

organizam todo ano a campanha Dia Mundial da Sepse, que acontece sempre em 13 de setembro.

No entanto, há outro dado preocupante: os profissionais de saúde que atendem aos pacientes sépticos, seja nos prontos-socorros, enfermarias ou UTIs brasileiras também têm dificuldades no reconhecimento rápido da síndrome e de suas disfunções orgânicas. “Infelizmente, em muitos centros o diagnóstico de sepse é feito de forma atrasada e as horas iniciais são importantíssimas para o tratamento com antibioticoterapia e reposição volêmica”, esclarece o Dr. Reinaldo Salomão, presidente do ILAS.

O Dr. Luciano Azevedo, coordenador do Dia Mundial da Sepse no Brasil e um dos palestrantes nacionais do ISF, acrescenta que as características do sistema de saúde brasileiro também desempenham um papel significativo para os nossos índices, pois muitas vezes, em virtude da superlotação dos hospitais, pacientes com sepse são atendidos na fase mais precoce de seu tratamento em locais onde a estrutura não é adequada para dar o suporte que eles precisam. “Quando esses pacientes são admitidos na UTI, as disfunções orgânicas já são preponderantes e a chance de sobrevida é bem menor”, disse.

Os desafios dos profissionais brasileiros - Os profissionais de saúde no Brasil têm dois grandes desafios para mudar

o cenário da sepse em nosso país: o primeiro é aumentar o conhecimento sobre a doença, pois alguns inquéritos prévios mostraram que os médicos brasileiros não conseguem identificar adequadamente as fases da sepse, nem os critérios de disfunção orgânica. “Devemos salientar que o diagnóstico de sepse grave geralmente não é feito pelo médico intensivista e sim pelo médico que atende nos serviços de urgência, ou é chamado para avaliar pacientes internados nas enfermarias”, esclarece o Dr. Luciano. Sendo assim, segundo o médico intensivista, “não conseguimos realizar o diagnóstico precoce da sepse nem seu tratamento, de tal maneira que perdemos a janela de oportunidade para aumentar a sobrevida”.


Outro desafio a ser enfrentado pelos profissionais de nosso país diz respeito ao fato do Brasil ter taxas elevadas de infecções relacionadas à assistência de saúde, como pneumonias associadas à ventilação mecânica e infecções de cateter central. Essas infecções podem responder por até 50% de incidência de sepse nas UTIs. Essas taxas elevadas podem ser combatidas por medidas que devem ser realizadas por todos os profissionais de saúde, como lavagem de mãos, cuidados com higiene de cateteres e circuitos. Apesar dos profissionais de saúde saberem que essas medidas são importantes, elas são pouco praticadas.

Informações sobre o ISF: www.forumsepse.com.br

Sepsis 2013 Rio & X Fórum Internacional de Sepse - 2013
Realização: Internacional Sepsis Forum | Instituto Latino-Americano de Sepse | AMIB - Associação de Medicina Intensiva Brasileira
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